Vai lá e faz

Ainda sem nome.

Setembro 26, 2008 · Deixe um comentário

Olá, sou Lucas Schutz. Eu tomei coragem vim e fiz! Espero que gostem.

Este é o primeiro capitulo de um livro sem nome que ainda pretendo terminar.

CAPITULO 1

Nunca acordo bem nos domingos. Tem gente que me acha pessimista, mas o que vou fazer se o mundo não ajuda as pessoas? Nunca foi tão difícil dormir. Eu realmente estou cansado de ver o mesmo carro indo embora todas as noites. A pessoa de quem lhe falo tinha um caro cinza, cinza metálico. Ela foi embora nele, não conseguiria distinguir aquele carro de nenhum outro, ele era igual a qualquer outro, odeio gente sem personalidade. Quando voltei a mim eu já estava no ônibus indo ao trabalho, não me lembro de ter saído de casa nem de ter pego o ônibus, mas eu estava lá. Sempre sento ao lado da mesma mulher, ela é bonita, tem os olhos castanhos, cabelos longos, presos no meio das costas, ela parece que faz faculdade, apesar de não ter idade de universitária, se é que universitários ter idade, pelo que eu conhecia dela, sem nunca termos trocado uma palavra, ela gostava de Stendhal e de Dom Quixote, mas era fascinada por Machado de Assis, eu gostava de Machado, mas não o bastante para ler Quincas Borba tantas vezes. Um dia eu descobri que ela se chamava Esther, não sei porque, mas gosto deste nome, soa forte, bonito, Esther, Esther, Esther. Meu chefe estava me chamando, ele era um daqueles caras que são aficionados pelo trabalho, daqueles que descontam do seu salário até as pausas para o café, ou as idas ao banheiro, justamente por isso muitos funcionários estavam forçando a própria demissão para processar e empresa e ganhar um bom dinheiro, que eles certamente ganhariam, mas eu gostava do doutor Cláudio. O doutor Cláudio era gordo, tinha sempre um ar de alguém que queria aparentar saber mais do que sabia, ele usava um lenço no bolso frontal da camiseta, diziam que ele comprara aquele lenço em um leilão, diziam também que o lenço pertencia a uma amante dele, na verdade uma prostituta, e as piores línguas diziam que ele era perdidamente apaixonado por ela e que antes dela o largar ele era magro, e galanteador, era, porque hoje ele não passa de um porco, um porco com um tufo de cabelos grisalhos na cabeça, um porco grisalho que comete o pior erro que um homem careca pode cometer tentar cobrir a calvície com uns poucos fios de cabelos bem penteados na cabeça, com gel e tudo o mais, deprimente, mas eu, ainda sim, gosto dele. O seu Cláudio pediu para que eu fosse ao banco, fazer uns depósitos. O lugar onde trabalho não é muito grande. A promessa que foi feita a todos funcionários nunca se concretizou, a empresa nunca cresceu, vive estagnada, alternando momentos bons e ruins. Não gosto de trabalhar aqui, é monótono, faço coisas das quais não gosto e me sinto deslocado, pelo menos as companhias são boas, e tenho bons amigos aqui dentro. Na rua decido matar um tempo, vou chegar ao banco dois minutos antes das 16 horas. Não é essa idéia que tenho de ‘viver perigosamente’, como dizem nas chamadas dos filmes que passam na televisão, mas é o que mais se assemelha a ‘perigosamente’ do meu dia, com exceção de atravessar a rua em alguns pontos da cidade, o que para um velho sedentário pode ser algo muito perigoso.

Paro em frente a praça, há nela um chafariz amarelo ouro e azul. Está toda velha, quebrada. Essa fonte me traz lembranças de épocas felizes, lembranças dos dias em que andava com ela pelo centro, não consigo esquecê-la. Recordo-me que logo que saí do banco vi Jeremias, meu amigo mais fiel, o único que me agüentou quando ela partiu, o único que me ajudou a superar… Superar?! Está aí algo que nunca fui bom em fazer, superar… Jeremias estava com pressa, eu também, sem que eu percebesse já haviam passado 30 minutos, desde que Jeremias me deixou na frente da fonte, torno-me nostálgico mais uma vez, dou as costas a fonte e sigo.

Ao chegar em casa lembro-me de Esther, ultimamente ela volta a minha mente com freqüência, parece querer morar dentro de minha cabeça. Estou com medo de me sentir novamente daquela maneira tola e sem sentido que todos ficam quando pensam estar amando. Sempre pensei que você ama quem você quer, se fosse não fizer força para amar alguém não o amará. Para amar alguém você tem que pensar bastante nessa pessoa que você considera digna de você. O egoísmo está em baixa, vivemos em um tempo que se é mais altruísta que egoísta. Devíamos ser mais egoístas, pensar mais em nós mesmos e não se preocupar com o outro, daí não amaríamos tanto, não sofreríamos tanto. Descanso o cálice na mesa, sempre que bebo demais vagueio por esses campos, digo besteiras, não que não as pense sem estar tonteado pelo doce sabor do vinho, porém não ouso trazê-las a tona, sob pena de me distrair e de remoer o que já me aconteceu, que é tudo o que não quero.

 

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E posto também, aproiveitando a publicidade gratuita, meu blog onde periodicamente, pretendo postar mais frequentemente, alguns textos.

 

http://geradordeimprobabilidade.blogspot.com/

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Lucas Schutz

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